Mostrando postagens com marcador aprendizado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aprendizado. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Relaxe, você vai errar muito empreendendo

Começar um empreendimento em sua área de conhecimento é mais confortável e acelera o período de aprendizagem, mas o erro é inevitável

Ricardo De Féo, dono da General Wings, empresa de bicicletas elétricas

Quem nunca dirigiu tem dificuldade em achar o tempo certo de soltar a embreagem e acelerar. Por isso, o aspirante a motorista dirige aos trancos. Com o empreendedor de primeira viagem não é diferente. Leva um tempo até estar confortável com a gestão do novo negócio.
"Ser empreendedor é viver na tentativa e no erro.Não tem ninguém para nos avisar qual caminho percorrer", diz Fabio Mazzon Sacheto, de 37 anos. O administrador paulista abandonou a carreira corporativa em 2002, quando era gerente de vendas da Avaya, multinacional de telecomunicações, para tocar a empresa de cosméticos Florus, aberta por ele e a mulher em 1999.
Sua maior dificuldade foi com a gestão financeira — gerenciar o pagamento de fornecedores, as datas de recebimento e a entrada de dinheiro no caixa — enquanto entendia do setor de beleza. O obstáculo foi superado com a ajuda de consultores e colegas especialistas na área.
Hoje, a Florus atende mais de 70 clientes, entre eles a camisaria Dudalina e o hotel Emiliano, de São Paulo. A experiência de Fábio diz muito sobre uma das características mais importantes de um empreendedor: a resiliência. "Nesse universo, errar não é o fim do mundo e ter calma e obstinação para mudar de rumo é essencial", diz Marcelo Salim, responsável pelo Centro de Empreendedorismo do Ibmec, do Rio de Janeiro.
Dois anos sem grana
Ricardo De Féo, de 45 anos, foi gerente comercial na Volkswagen por oito anos e gerente nacionalde vendas na transportadora Júlio Simões, de onde saiu há dois anos para tocar a General Wings, empresa de bicicletas elétricas fundada por ele em 2009. "Cansei do jogo corporativo, me sentia tolhido", diz.
A ideia surgiu durante uma viagem de pesquisa à China — na época, Ricardo sonhava em fabricar um carro popular. De volta ao Brasil, ele vendeu o apartamento, o carro e com 250.000 reais abriu a loja.
Depois de quase dois anos vivendo das economias, hoje ele faz dinheiro com seu negócio, que deve faturar neste ano 2 milhões de reais.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

6 passos para aprender mais rápido (e melhor)

Algumas mudanças em relação ao que os profissionais entendem como aprendizado são essenciais para turbinar a sua capacidade de aprender, confira quais são elas

Jovem escrevendo em lousa em lista

“O que distingue as pessoas que chegam ao topo é que elas aprendem melhor e mais velozmente que as outras”. Esta frase foi dita a Fernando Jucá, sócio da Atingire - empresa de treinamento e desenvolvimento - por um ex-presidente com passagens por grandes empresas.
Na semana passada, Jucá reuniu profissionais de RH, em São Paulo, para discutir o processo de aprendizagem. A inquietação divida pelo especialista durante o evento estava relacionada ao fato de que muitos treinamentos oferecidos pelas empresas aos seus executivos acabam falhando no seu objetivo principal: mudar comportamentos para atingir resultados melhores.
Certamente, muitos profissionais já tiveram a sensação de tempo perdido ao serem convocados para treinamentos na empresa. De acordo com Jucá, é comum ouvir dos executivos frases como: não adianta realizar programas de treinamento, nessa empresa as coisas nunca mudam”, ou “para que me inscrever em um curso de técnicas de apresentação, se não tenho o dom de falar em público”, ou ainda “o treinamento foi bom, mas quem deveria ter participado era o meu chefe e não eu...”.
“O que todas essas frases revelam é a ausência de uma competência fundamental atualmente: a expertise em aprender”, diz Jucá. Esta expertise, diz ele, é fundamental, já que a partir dela o processo de desenvolvimento de outras competências torna-se efetivo. “Há até um campo de pesquisa na área educacional em torno do termo heutagogia, que reflete sobre como é possível desenvolver a nossa capacidade de aprender a aprender”, lembra o especialista
Mas, o que fazer para desenvolver esta capacidade? O que é preciso mudar para aprender mais rápido? Segundo o especialista, algumas mudanças em relação ao que os profissionais entendem como aprendizado são essenciais para turbinar a sua capacidade de aprender. Confira:
1 Atividade só intelectual x conexão direta com comportamentos
“O aprender é percebido como uma atividade puramente intelectual”, diz Jucá. Ou seja, você aprendeu o nome da capital de Botswana ou quando ocorreu a Guerra do Paraguai e guarda essas informações na cabeça. Se alguém perguntar, você responde e pronto.
O primeiro passo é mudar esta concepção de aprendizado, segundo Jucá. “Aprendizado implica a mudança de comportamento. Se tal mudança não ocorreu, estamos falando apenas de enciclopedismo gratuito, para gastar em almoços e festas”, explica.
2 Absorver x enriquecer ou modificar modelos mentais
Grande parte das pessoas imagina o aprendizado como um processo de absorção, pura e simplesmente, lembra Jucá. E se aprender é mudar comportamentos, a relação direta é com modelos mentais.
Eles são o gatilho para a mudança de comportamento, diz Jucá. “Modelos mentais são construídos e refinados sem parar. As fontes para esse processo são quase infinitas, mesmo que muitas vezes sutis”, explica o especialista.
Um comentário de um colega no corredor sobre o chefe pode ajustar seu modelo mental sobre perspectivas de carreira, por exemplo. “Os resultados frustrantes de uma reunião com a equipe de vendas podem reforçar seu modelo mental sobre o trabalho em equipe”, diz Jucá.
3 Conteúdo vem pronto de fora x o conteúdo é transformado por mim
O conteúdo vem pronto, resta absorver por meio da atividade intelectual. Este é mais um exemplo de quão deslocado pode estar o seu conceito de aprendizado.

Jucá explica. “Há uma interação constante entre novas experiências e meus modelos mentais, uma coisa influencia a outra”, diz.

Imagine duas pessoas que participam da mesma frustrante reunião de vendas citada no item 2. “O aprendizado ainda assim poderia ser completamente distinto”, diz Jucá.
4 Fontes formais, como livros x experiências variadas, às vezes até a leitura
De onde vem o conhecimento? “Dos livros, oras”, podem dizer alguns. “Da internet, mais especificamente do Google, diriam outros”.
Grande parte das pessoas entende que o conhecimento está nos cursos, livros, na internet, enfim são várias as fontes, mas todas formais. Jucá faz um contraponto: “o aprendizado vem de experiências variadas, às vezes até a leitura”, diz Jucá.
5 Momento específico x o tempo todo
Agora vou ler um livro, agora vou estudar, enfim só agora vou aprender. Conforme explica Jucá, é frequente dividirmos o tempo em dois momentos: hora de trabalhar, hora de estudar.
“Pode perguntar para um executivo o que ele fez no dia. Ele vai dizer que comandou, pensou, se comunicou, escreveu...dezenas de verbos, sem a menção da palavra aprender”, diz Jucá.

É importante desfazer essa separação. Aprender não é algo que se faz em um momento específico, você aprende o tempo todo.

6 Acúmulo gradual de saber x desaprender também é essencial
“Interessante também que a atividade de aprender sempre é associada ao acúmulo gradual de conhecimentos”, diz Jucá. É como um copo que vai sendo cheio de água, por exemplo. Você não descarta nada, apenas inclui novas informações.
De acordo com Jucá, desaprender é o x da questão e o grande desafio para os adultos interessados em turbinar a capacidade de aprender.

“A maior dificuldade dos adultos versus as crianças em aprender é explicada não porque não conseguimos fazer novas conexões neurais para enriquecer nossos modelos mentais e sim porque é muito difícil enfraquecer conexões neurais antigas, modificando então nossos modelos mentais atuais”, diz o especialista.

Assim, não deixe que o conhecimento antigo cristalizado paralise a transformação de modelos mentais. Por fim, fique com esta definição de aprendizado: “aprendo quando enriqueço ou modifico meus modelos mentais, alterando meu comportamento”.