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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Desigualdade entre gêneros é menor nos pequenos negócios

A força de trabalho feminina corresponde a quase 40% dos empregados das micro e pequenas empresas

 HansKristian/Flickr
A diferença salarial entre homens e mulheres ainda é uma realidade no Brasil, mas nos pequenos negócios essa desigualdade é cada vez menor. Nas micro e pequenas empresas – aquelas que faturam até R$ 3,6 milhões por ano –, homens ganham em média 24% mais do que as mulheres, enquanto nas médias e grandes companhias, os homens ganham 44% a mais do que as mulheres. As mulheres representam quase 40% dos 15,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada em micro e pequenas empresas.

Na última década, a desigualdade caiu dois pontos percentuais nas micro e pequenas empresas ao mesmo tempo em que cresceu seis pontos percentuais nas médias e grandes. Essa amostragem faz parte do estudo elaborado pelo Sebrae em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que analisou as informações dos empreendimentos comandados por homens e mulheres entre 2001 e 2011.

O presidente do Sebrae, Luiz Barretto, atribui o porte das empresas a essa diferença salarial. “Nas grandes corporações, a estrutura organizacional é maior e nem sempre as mulheres ocupam cargos mais altos na hierarquia. Já nos pequenos negócios, o acesso às decisões é mais facilitado e a convivência com os donos das empresas, mais próxima”, acredita Barretto. Ainda segundo ele, nas micro e pequenas empresas os funcionários acompanham mais de perto o que acontece nos empreendimentos.

Ainda de acordo com o levantamento, a remuneração média das trabalhadoras das micro e pequenas empresas cresceu mais do que a do público masculino. Entre os anos de 2000 e 2011, o salário médio real das mulheres aumentou 21%, enquanto que entre os homens o crescimento foi de 18%.

Esse é o caso da metalúrgica carioca Maemfe, criada em 1985. A empresa tem no seu quadro funcional alguns exemplos interessantes de funções desempenhadas por homens e mulheres com a mesma qualidade e gratificação. Entre eles está o cargo de soldador e desenhista Cadista (profissional que transpõe um projeto para a linguagem do computador), geralmente desempenhado pelo sexo masculino. De acordo com o sócio Jorge Dobao, “o gênero não entra na avaliação, apenas o currículo”.

A participação na massa salarial também seguiu a mesma tendência. A soma das remunerações femininas aumentou 250% e, dos homens, 194%. O público feminino também entrou mais no mercado de trabalho durante esse mesmo período. A quantidade de trabalhadoras nas micro e pequenas empresas mais do que dobrou – cresceu 108% –, enquanto a de trabalhadores homens aumentou 67%

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

7 sinais de que é bom tirar o pé do acelerador na carreira

Confira os indicativos de que ainda é preciso se desenvolver e se preparar melhor antes de partir para próxima etapa profissional, segundo dois especialistas


placa de stop
Getty Images

 “Não corra nas escadas”. Quem anda de metrô já ouviu este tipo de mensagem nos alto-falantes do sistema de transporte. Afinal, todo mundo sabe que avançar muito rápido pelos degraus é arriscado. Na carreira, não é diferente quando o tema é ascensão profissional.
É preciso tempo de experiência e muito esforço para que o crescimento profissional seja duradouro, dizem especialistas. Mas, é fato, que muitas pessoas ignoram esta máxima e querem mesmo uma subida meteórica. 
Para a especialista em Geração Y, Eline Kullock, falta, sobretudo aos jovens, a noção do que é um ciclo. “A realidade deles é mais rápida.”, diz. Assim, a percepção da passagem do tempo é diferente para uma geração acostumada a fazer várias coisas simultaneamente e que cresceu com os olhos grudados em desenhos, filmes e jogos com muita ação e velocidade. 
Por isso, EXAME.com pediu aos especialistas que indicassem alguns sinais de que é hora de tirar o pé do acelerador na sua vida profissional e se preparar melhor antes de partir em busca da próxima etapa. Confira quais são:
1 Você ainda não tem os resultados do seu trabalho
Você tem a ação, mas não o resultado do projeto. Ou seja, ainda não fechou o ciclo. “Se o profissional ainda não tem a resposta de que o projeto foi bem implementado ou não, é melhor esperar fechar este ciclo”, diz Eline.
Ela explica que, sem resultados comprovados, o profissional continua sendo apenas um potencial. “Para passar desta fase ele tem que mostrar que alcançou resultado com sucesso”, diz.
2 Não vai receber bônus 
“Se o profissional não vai receber bônus, na prática, significa que não alcançou as metas”, diz Eline. Este, de acordo com ela, é um sinal claro que a empresa dá de que ainda não é hora de almejar uma posição mais alta na hierarquia corporativa. Ou seja, uma vez aquém dos objetivos, é melhor tirar o foco da ascensão e voltá-lo para o que você deve cumprir agora.
3 Começam a surgir muitas dúvidas e incertezas
De acordo com Alexandre Rangel da Alliance Coaching, os sinais de que é hora de tirar o pé do acelerador são mais comuns quando os profissionais atingem o primeiro nível de gestão. “É aí que começam a surgir os problemas”, diz.
Se competência técnica, inteligência e ambição fizeram com que o profissional se destacasse sendo promovido a coordenador ou supervisor, agora é preciso saber lidar com novas demandas.
“Aparecem as dúvidas e incertezas. Tecnicamente ele é excelente, mas não sabe lidar com a sua equipe”, diz. Este é um sinal de que é hora de se reajustar para ter sucesso na nova função, e deixar planos de ascensão em segundo plano.

4 Você tenta compensar franquezas na gestão com conhecimento técnico
Este é outro sinal para quem chegou há pouco tempo a uma posição de chefe. “Como o profissional não tem capacidade de gestão, o seu foco continua sendo técnico”, diz Rangel.
Isso resulta em disputas entre o gestor recém-promovido e os técnicos. “As pessoas começam a se sentir incomodadas porque o chefe não larga o osso, fica importunando e atrapalhando o trabalho dos técnicos”, diz Rangel.
5 As pessoas da sua equipe reclamam da sua demora em tomar decisões
Se o tempo que você leva para bater o martelo sobre determinado assunto está sendo motivo de reclamações dos seus subordinados, fique atento. 
Talvez seja hora de se preparar melhor para as demandas do primeiro cargo de gestão da sua carreira, de acordo com Alexandre Rangel.
6 Falta de comprometimento dos subordinados e alta rotatividade
“Pelo fato de continuar sendo muito técnico, o profissional não é admirado na gestão porque não ensina novas formas de trabalhar, não inspira e nem desenvolve as pessoas e, por isso, começa a ter funcionários não comprometidos”, diz Rangel.
O resultado é o aumento na rotatividade e esse fator acende a luz vermelha para o gestor de primeira viagem. O sinal é claro: pare, reflita e melhore suas capacidades de liderança antes de tentar qualquer nova promoção.
7 Tem recebido mais feedbacks negativos do que positivos
Interessados em subir alguns degraus na carreira devem não só esperar, como também ir atrás de feedbacks a seu respeito. Caso perceba que o gestor tem indicado muitos pontos de atenção é hora de parar e refletir se é mesmo hora de avançar ou é melhor se preparar melhor antes disso.
“O feedback deve ser encarado como uma oportunidade para quem quer pensar no seu desenvolvimento de carreira”, diz Eline.
Quem chegou ao primeiro nível de gestão deve ficar atento às reclamações do seu gestor direto a respeito do baixo desempenho da equipe. Segundo Rangel este é mais um sinal da necessidade de melhor preparação antes de partir para uma próxima etapa.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Empresa troca empregado experiente para cortar custo

Segundo dados do Caged, emprego com carteira assinada tem crescido somente para profissionais de até 24 anos

Empresário de terno e gravata
Stock.Xchange
As empresas estão mudando o perfil de contratação. Na busca pela redução de custos, os trabalhadores mais velhos estão sendo trocados por jovens com boa formação, mas com salários mais baixos. A mudança começa a aparecer no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Além da menor criação de vagas formais ao longo deste ano, dados compilados pelo Estado mostram que o emprego com carteira assinada tem crescido somente para profissionais de até 24 anos.

Essa movimentação no mercado de trabalho está ligada à deterioração da conjuntura econômica e do ambiente dos negócios, diz Betania Tanure, professora da PUC-MG e fundadora da consultoria BTA, especializada em gestão empresarial. "Neste momento, a maioria das empresas vislumbra um cenário de incerteza que pouco se viu no Brasil nos últimos anos. Nem o ambiente de 2008 e 2009, após a crise, gerou o grau de incerteza no meio empresarial que hoje se vê pois, naquele momento, do ponto de vista macro, o País tinha instrumentos para lidar com a crise que hoje se mostram insuficientes."

O que azedou o humor das empresas foi a queda de resultados. A consultoria de Betania realiza pesquisas regulares com as 500 maiores empresas em operação no Brasil. Uma delas identificou que boa parte dos ganhos previstos não vão se concretizar. No levantamento de abril, 15% das empresas declararam que não conseguiriam cumprir as metas neste ano. Na atualização do levantamento, em agosto, o porcentual subiu para 48%. Ou seja, quase metade das maiores empresas do País identificou uma deterioração dos resultados, sem possibilidade de recuperação no ano.

Pesa também o cenário de longo prazo. A pesquisa identificou que a expectativa para os próximos cinco anos, a partir de 2013, não é animadora. Para 63% das empresas, o cenário é "mediano". Trata-se de uma virada para pior. No ano passado, quando traçaram o cenário para cinco anos, a maioria das empresas (53%) vislumbrava um período "excepcional". Hoje, apenas 35% tem esse nível de otimismo.

O menor salário pago aos admitidos em relação aos desligados também deixa evidente a troca pelo mais barato. Em julho, essa diferença chegou a 7,3% e vem crescendo desde abril. "Como o número de admitidos continua forte, isso sugere que as empresas possam estar trocando os mais caros pelos mais baratos", afirma Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

As características que definem o "emprego dos sonhos"

De horário flexível até resultado por demanda: veja o que um emprego precisaria oferecer para ser considerado ideal pelos funcionários


Mulher pulando feliz
Dreamstime

Já imaginou se existisse um emprego em que todas as qualidades mais buscadas pelos trabalhadores estivessem reunidas? EXAME.com consultou especialistas e reuniu as principais características que o trabalho dos sonhos deveria ter para oferecer mais qualidade de vida aos seus funcionários. Confira quais são elas:
1 Horários flexíveis
Não se trata somente de não ter um horário fixo para entrada e saída dos funcionários, mas também de oferecer a possibilidade de home office e de dias livres do trabalho, ainda que esporadicamente.
“Tudo tem a ver com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. As executivas mães preferem poder trabalhar de casa para poder ficar mais tempo com os filhos. Outras pessoas querem ter a oportunidade de se ausentar do trabalho por alguns dias para fazer um curso de aperfeiçoamento”, exemplifica o sócio da Alliance Coaching Sílvio Celestino.
Em relação ao home office, a professora Clara Linhares, da Fundação Dom Cabral, chama a atenção para um outro ponto: a geração Y não quer trabalhar somente à distância, ela sente necessidade de se relacionar com os outros funcionários da corporação. “Os jovens querem essa flexibilidade, mas precisam também estar presentes na empresa, ainda que por alguns dias, para poder construir um networking”, destaca.
2 Plano de carreira claro e rápido
“Os jovens, principalmente, querem visualizar sua carreira e ter mais velocidade para atingir cargos mais altos”, afirma Celestino.
3 Ambiente agradável e confortável
É mais do que um ambiente com uma arquitetura e uma decoração bonita, agradável. Está relacionado ao funcionário se sentir bem e confortável no ambiente corporativo.
“Em São Paulo, por exemplo, a maioria das empresas possui ar condicionado. Mas a cidade fica em uma zona temperada, não tropical. Faz frio em determinadas épocas do ano. Às vezes, o ideal seria ter um sistema de aquecimento também”, diz Celestino.
“Todo mundo gosta de ter uma casa bem arrumada. Hoje, o trabalho não é mais o lugar em que se faz o que é preciso e depois vai embora. É importante que o ambiente seja prazeroso e isso influencia até na produtividade”, afirma Danilca Galdini, sócia da Nextview People e coordenadora da pesquisa “Empresa dos sonhos dos jovens”, conduzida anualmente pela Cia de Talentos.
4 Abertura para novas ideias e inovação
A geração Y, de trabalhadores jovens, que ser ouvida, quer participar. Por isso, uma empresa ideal seria aquela em que há oportunidade para que o funcionário diga o que ele acha que é legal, sugira novas ideias, tenha espaço para colocá-las em prática.
“A companhia precisa permitir que eles pensem fora da caixa”, afirma Clara Linhares. “As pessoas querem deixar sua marca na empresa, querem ser parte das tomadas de decisões importantes, independente do cargo que ocupam. Essa é uma característica da geração Y, mas é tão forte que inflencia até mesmo as gerações anteriores”, diz  Renata Magliocca, professora da FIA. 
5 Acesso a novas tecnologias
Neste caso, novas tecnologias não significam necessariamente equipamentos de ponta, ultramodernos; mas sim sistemas que já estão presentes na vida pessoal dos funcionários e que eles gostariam de poder usar no trabalho, como as redes sociais.
“Há empresas em que os funcionários enviam 200 e-mails por dia. Para a geração Y, isso é desgastante. Por que não ter uma rede social interna na qual seja possível alocar pessoas e projetos? As pessoas querem usar com naturalidade as tecnologias que já estão presentes no seu dia a dia”, explica Celestino.
6 Diálogo com o chefe
Qualquer profissional que queira se destacar precisa saber quais são os seus erros e acertos no trabalho, certo? Por isso, um feedback estruturado e uma boa comunicação com os superiores são pontos considerados importantes por quem busca a melhor empresa possível para se trabalhar.
“Quando não há um retorno, as pessoas têm impressão de que o que elas fazem não é importante, e ninguém quer isso”, avalia Celestino.
7 Liberdade para atender emergências pessoais
Não quer dizer a empresa não deva exigir nenhum tipo de controle de entrada e saída de funcionários, afinal isso é necessário para a organização. Trata-se de uma maior liberdade, sem muita burocracia, para que o colaborador possa sair do trabalho para atender uma emergência.
“É para os casos de precisar atender um parente doente, por exemplo. Controlar cada movimento do pessoal torna o ambiente de trabalho muito desfavorável”, exemplifica Sílvio Celestino.
8 Resultado por demanda, e não por meta
De acordo com a professora Clara Linhares, os funcionários querem entender o como o que eles estregam irá favorecer a organização, e não apenas receber metas com prazo determinado para cumprir.
9 Possibilidade de remanejamento interno
Segundo Celestino, há dois tipos bem claros de funcionários: os que estão começando a vida e querem viajar, ter oportunidades diferentes; e aqueles que querem ficar onde estão, seja por que já tem filhos ou já criaram raízes, por qualquer outro motivo. Há empresas em que alguns cargos exigem uma coisa, outra, sem flexibilidade.
“As pessoas não querem esse modelo 8 ou 80. Elas querem um processo menos burocrático para mudar para uma outra vaga dentro da empresa casos seus objetivos mudem ao longo da carreira”, diz Celestino.
10 Políticas de incentivo ao esporte e inclusão da família
Ter a oportunidade de praticar um esporte e de ter a família mais próxima do dia a dia no trabalho, é um dos desejos do emprego moderno, segundo a professora Renata Magliocca, da FIA.
“As pessoas querem aproveitar o tempo e querem cuidar de si. Não se separa mais tanto o trabalho da vida pessoal. Elas não querem ser felizes apenas nos fins de semana, e sim durante a semana toda”.
11 Treinamentos individualizados
Não basta reunir todo mundo em uma sala e contratar um guru para falar sobre negociação, por exemplo. Os funcionários estão interessados em desenvolver sua própria habilidade. Eles não querem aprender sobre temas gerais, mas desejam receber treinamentos customizados. Por isso, segundo Renata, a demanda por coach, treinamentos práticos e job rotation tende a crescer. “Eles querem ser vistos como únicos”, explica.
12 Salários e benefícios compatíveis com o mercado
Ainda que esteja longe de ser a principal característica procurada no emprego dos sonhos, não dá para ignorar que um salário justo e benefícios são importantes para satisfazer um funcionário, segundo Renata e Clara.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Como ter duas carreiras

Ter uma segunda carreira começa a fazer parte do dia a dia de muitos profissionais — seja como um projeto para a aposentadoria, seja para ter mais satisfação profissional ou segurança no emprego.


Rodrigo Nasser de São Paulo
Fabiano Accorsi

Quando encerra seu expediente diário como diretor de tecnologia do site de comércio eletrônico Netshoes, de São Paulo, por volta das 19 horas, o administrador de empresas Rodrigo Nasser, de 33 anos, faz um lanche rápido, pega o carro e em poucos minutos está na escola de mergulho da qual é sócio, na zona sul da cidade. Inicia, então, sua segunda atividade profissional diária.
Nas três ou quatro horas seguintes, Rodrigo prepara e ministra cursos e resolve questões administrativas da escola. A jornada dupla ocupa com frequência os fins de semana, quando Rodrigo desce ao litoral para dar aulas práticas de mergulho. Ele considera a rotina cansativa, mas garante que a satisfação de fazer o que gosta compensa o ritmo intenso.
"O ócio me incomoda",­ diz Rodrigo. Na época em que começava sua carreira, ele vislumbrava três alternativas: trabalhar com tecnologia, mergulhar ou dar aulas. Decidiu ficar com o mais garantido e, com o tempo, tornou-se responsável pela estratégia tecnológica de um dos mais bem-sucedidos endereços de comércio eletrônicos do país, onde lidera uma equipe de 135 pessoas. 
Em 2012, a vontade de ensinar e explorar o fundo do mar bateu forte e Rodrigo foi atrás das coisas que lhe davam prazer. Resolveu investir em um negócio e ingressou na sociedade da escola. "Encontrei a possibilidade de trabalhar com tudo que gosto", diz Rodrigo.
Desenvolver uma segunda atividade profissional é a realidade de muitas pessoas. Em outro site de comércio eletrônico, o Mercado Livre, há 9.000 brasileiros usando-o como forma de obter uma segunda renda ou que já abandonaram o emprego para viver das vendas pela plataforma. "São pessoas que desejam trabalhar com comércio sem ter de abrir um negócio", diz Leandro Soares, diretor do Mercado Livre. Seja por prazer, seja por dinheiro, muitos profissionais não se satisfazem com apenas um trabalho hoje em dia. 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Jovem de 21 anos divide seu tempo entre 11 empregos


Algumas pessoas costumam reclamar que trabalham muito, ganham pouco e não têm tempo para fazer outras coisas, mas o inglês David Day, 21, encontrou uma maneira de fazer o que gosta eliminando o tempo ocioso de sua vida.


Residente em Nottingham, no Reino Unido, David consegue dividir suas tarefas entre 11 empregos, sendo cinco trabalhos remunerados e seis funções voluntárias. Assim, ele chega a trabalhar 60 horas por semana.

David trabalha como assistente de loja, roupeiro num clube de futebol, atendente de cantina em uma escola e como garçom em duas casas noturnas.
Ele ainda encontra tempo para atuar como voluntário em um grupo de jovens, num centro de recreação infantil e num clube de salva-vidas, é treinador de badminton e futebol e ensina primeiros socorros.
Tudo isso por um salário semanal equivalente a R$ 877.

“Prefiro fazer algo útil a sentar na frente da TV. É bom ter dinheiro, mas eu não me importo com isso. Ajudar as pessoas e fazer algo que eu gosto significa muito mais”, declarou ao Daily Mail.
Para os colegas e autoridades locais, o esforço de David representa um exemplo para todos.
O executivo-chefe da Nottinghamshire & Derbyshire Chamber of Commerce, George Cowcher, disse que David mostra que existem jovens talentosos, orientados e criativos que seriam bem aproveitados em qualquer negócio.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Mudar aos 35 anos: valorize sua carreira

Dar uma guinada profissional a partir dos 30 anos requer avaliar muito bem os prós e contras da decisão. Você não quer perder as conquistas que teve até aqui

André Rezende Azevedo

A partir dos 30 anos de idade, há mais fatores que têm de ser levados em conta antes de dar uma basta ao emprego. A família e o equilíbrio nas finanças são os principais fatores que dificultam a transição.
Além disso, nessa etapa da vida o profissional já construiu um breve histórico de realizações, angariou alguma experiência e está no momento de começar a capitalizar essas conquistas.
Por isso, deixar a carreira nesse momento é uma decisão difícil. É geralmente nessa fase que começam a aparecer as oportunidades para assumir desafios maiores: liderar equipe, unidade de negócios e projetos estratégicos. Para quem está em sintonia com o chefe, se sente reconhecido e satisfeito com a empresa, a sensação é de que tudo vai bem e o céu é o limite.
Por outro lado, é por  volta dos 30 que começam a pintar as primeiras crises relacionadas à carreira. O sentimento é mais latente para os que não estão onde gostariam de estar (cargo, área ou empresa). A moeda de troca também muda.
Se, antes, você aceitava ganhar menos em troca de aprendizado, agora o salário — o reconhecimento financeiro — ganha importância. Há ainda uma preocupação maior com o equilíbrio entre a agenda profissional e a pessoal. Quando esses elementos não estão alinhados aparece a comichão da mudança. Como lidar com a situação? 
A psicóloga Mariá Giuliese, autora do livro O Jogo da Transição – Sua Carreira em Movimento (Ed. Saraiva), afirma que não há nada de errado em querer experimentar outro caminho. “É importante olhar para si mesmo e descobrir o que está acontecendo.” Mariá alerta também que familiares e amigos não são bons conselheiros.
“Eles são pautados pelos estímulos emocionais e morrem de medo de o novo desafio não dar certo.” Para auxiliar o profissional no momento da mudança, Mariá indica um coach, que terá uma visão mais estruturada e bem planejada. “A pessoa que entra no processo de mudança não fica preocupada com o tempo perdido na primeira carreira. Ela tem medo de estar equivocada.”
Se você não tem acesso a um coach, procure alguém mais experiente, que seja de sua confiança. Você vai saber que a conversa foi produtiva quando as perguntas que ele fizer o tirarem da zona de conforto. Para Fabio Saad, consultor da Robert Half, em São Paulo, um opção é mudar dentro da empresa, experimentar outra área que lhe interesse.
Se não há essa oportunidade, a saída é buscar formação na nova área e partir para o mercado. A recolocação pode demorar alguns meses. Por isso, é preciso estar preparado financeiramente. Segundo Daniel Cunha, diretor regional da consultoria Michael Page, de São Paulo, mudar a partir dos 30 é uma decisão corajosa.
“Um profissional com 35, quando escolhe partir para outra área, vai concorrer com gente experiente na nova área.” O fiel da balança está na real disposição para encarar a transição. Quem enfrentou o desafio não se arrepende. “Sou muito mais feliz hoje”, diz o ex-engenheiro André Rezende Azevedo, de 38 anos, que mudou de carreira depois de 12 anos trabalhando na indústria de bebidas .
Sou mais feliz agora
O engenheiro de alimentos paulistano André Rezende Azevedo, de 38 anos, disse adeus, no ano passado, ao trabalho que tinha como gerente de bebidas, depois de 12 anos no Grupo Schincariol. Como se diz no jargão corporativo, André queimou os ternos. “Gosto da profissão, mas cansei das longas jornadas de trabalho e das ligações no celular nos fins de semana”, diz.
O plano de mudança começou a ser traçado em 2000, quando ele assistia a uma aula de juros compostos no MBA que fez na Fundação Getulio Vargas. “Percebi que era importante me preparar financeiramente e, em 2007, fiz uma carteira de investimentos. Já estava juntando uma parte do meu salário.
Fui promovido naquele ano e, com isso, passei a guardar 40% do que ganhava.” Quando acumulou o suficiente para ficar sem trabalhar por até dois anos, saiu da Schincariol. André resolveu se dedicar à educação física e está cursando o segundo ano na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Se ele pensa em voltar a ser engenheiro? “Adoro esportes e, depois de me formar, quero trabalhar na área de saúde.”