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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Para Warren Buffett, crise foi um negócio de US$ 10 bilhões

Durante a crise financeira, o bilionário Warren Buffett lançou botes salva-vidas para várias empresas de primeira linha. Cinco anos depois, o retorno desses negócios está ficando claro: já são US$ 10 bilhões e o valor continua aumentando.

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Nati Harnik/Associated Press
Buffett se aproximou dessa quantia após receber mais uma grande bolada na semana passada, elevando para quase 40% o lucro antes dos impostos de seus investimentos feitos na época da crise, de acordo com uma análise do The Wall Street Journal.

A recompensa é uma ilustração vívida de uma das máximas favoritas de Buffett para os investimentos: "Seja medroso quando os outros são gananciosos, e seja ganancioso quando os outros estão com medo".

O retorno extraordinário mais recente para o bilionário de Omaha e seu conglomerado, a Berkshire Hathaway Inc., foi gerado quando a fabricante de doces Mars Inc. lhe devolveu US$ 4,4 bilhões que sua subsidiária a Wrigley tomou emprestado em 2008. Só esse pagamento deve gerar à Berkshire um lucro líquido de pelo menos US$ 680 milhões.

"Em termos de simples lucratividade, um investidor médio poderia ter se saído igualmente bem investindo no mercado de ações se tivesse comprado durante o período de pânico", disse Buffett em entrevista ao WSJ. Ele estava se referindo a um período de alguns meses, começando no terceiro trimestre de 2008, quando as ações de algumas de suas empresas favoritas, inclusive a Wells Fargo & Co. e a American Express Co., caíram para mínimos históricos. "As melhores compras são feitas quando a maioria esmagadora das pessoas está com medo."

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Mas poucos investidores, se é que houve algum, aproveitaram a crise tão habilmente como ele.

Numa comparação, o governo dos Estados Unidos investiu uns US$ 420 bilhões através de seu Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês). O governo também exigiu condições vantajosas e recebeu pagamentos consideráveis de dividendos, obtendo um retorno de uns US$ 50 bilhões, ou 12%, até o momento, segundo o site do Tesouro americano.

Buffett disse que espera usar o dinheiro para fazer em breve outros grandes investimentos que trarão rendimentos igualmente atraentes. A Berkshire vai continuar a comprar ações para engordar seu portfólio de mais de US$ 100 bilhões porque "ainda é melhor ter ações do que dinheiro", disse ele.

Começando com a Mars, em abril de 2008, quando os mercados de crédito iniciaram o aperto antes da crise financeira, algumas grandes empresas se voltaram para Buffett — e para as enormes reservas de caixa da Berkshire — como financiador de última instância. Além do capital necessário, as empresas adquiriram algo igualmente valioso: o aval implícito de Buffett para suas perspectivas de longo prazo. Em geral, as ações dessas empresas subiram após elas revelaram o envolvimento da Berkshire.

Em seis grandes negócios, a Berkshire investiu um total de uns US$ 26 bilhões. Buffett começou a fechar esses negócios nos primeiros dias da crise e continuou fazendo isso quando a recuperação já ia bem avançada. O último deles, em 2011, foi um empréstimo de US$ 5 bilhões para o Bank of America Corp.

Além da Mars e do Bank of America, a Berkshire fez investimentos no Goldman Sachs Group Inc., Swiss Re Ltd., Dow Chemical Co. e General Electric Co.

Vários negócios continuam a render dividendos robustos. A Berkshire também possui participações nessas empresas ou garantias para comprar suas ações que adicionam vários bilhões de dólares ao retorno sobre os investimentos da empresa, pelo menos no papel.

Embora a garantia de compra de ações de alguns destes negócios tenha vindo sem custos junto com a compra das ações preferenciais pela Berkshire, as normas contábeis exigem que a empresa divida os custos entre as ações e as garantias adquiridas. Isso significa que ela registra ganhos em seus livros contábeis de forma diferente da contabilidade tradicional de receitas e despesas, somando assim uns US$ 10 bilhões.

À medida que a economia se recupera, e com o crédito disponível a taxas mais atraentes, algumas das empresas optaram por reduzir a participação da Berkshire ou ajustar os termos de formas favoráveis para Buffett.

A Dow Chemical, que tomou emprestado US$ 3 bilhões da Berkshire para financiar a compra da Rohm & Haas, em 2009, afirmou que recomprar suas ações preferenciais é uma prioridade.

Também na semana passada, a Berkshire se tornou uma das maiores acionistas do Goldman, com uma participação de US$ 2,1 bilhões, após o fim de um acordo de cinco anos em que a Berkshire injetou US$ 5 bilhões no banco.

A Berkshire comprou 50.000 ações preferenciais do Goldman, que exigiam que o banco lhe pagasse US$ 500 milhões em dividendos anuais. Quando o Goldman resgatou as ações, em março de 2011, pagou à Berkshire US$ 500 milhões adicionais como prêmio.

O acordo original também deu à Berkshire garantias para comprar 43,5 milhões de ações ordinárias por US$ 5 bilhões, o que teria feito do conglomerado o maior acionista do Goldman. Em março, o banco alterou as condições para dar à Berkshire uma participação menor, sem que ela tivesse que gastar dinheiro extra.

A Berkshire ajudou a Mars a financiar sua aquisição da Wrigley por US$ 23 bilhões. Desde então a empresa tem procurado refinanciar parte da sua dívida para aproveitar os juros mais baixos e uma melhor classificação de crédito, disse um porta-voz.

A Berkshire contribuiu com US$ 6,5 bilhões, incluindo US$ 2,1 bilhões em ações preferenciais da Wrigley que pagam dividendos anuais. Mais tarde, a Berkshire também comprou mais US$ 1 bilhão em papéis de dívida da Wrigley. Até agora, o investimento deverá dar à Berkshire quase US$ 4 bilhões líquidos, incluindo dividendos anuais e um prêmio pelo pagamento antecipado, já que a dívida venceria em 2018.

A participação de Buffett no Bank of America pode render dinheiro por anos a fio. A Berkshire investiu US$ 5 bilhões no banco em 2011, o que lhe acrescenta uns US$ 300 milhões em receita anual antes dos impostos. O diretor-presidente do Bank of America, Brian Moynihan, disse recentemente que não pretende recomprar as ações preferenciais no futuro próximo. A Berkshire também tem prazo até 2021 para exercer sua garantia de compra de 700 milhões de ações ordinárias por mais US$ 5 bilhões, a US$ 7,14 por ação. Considerando que o preço atual das ações do banco é de uns US$ 14, essas garantias gerariam um lucro de quase US$ 5 bilhões nos livros contábeis.

Mas grandes aquisições, como a compra da operadora de ferrovias BNSF Railway Co., em 2010, por US$ 26 bilhões, ficaram mais difíceis de encontrar. Como os preços vêm subindo em paralelo com a recuperação econômica, Buffett já lamentou publicamente a escassez de ofertas transformadoras que permitiriam à Berkshire colocar parte do seu caixa para trabalhar.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Diga adeus às senhas com letras e números

Eis o problema fundamental das senhas: elas são mais eficazes para proteger uma empresa quando são longas, complicadas e trocadas com frequência. Ou seja, quando é mais difícil para os funcionários decorá-las.

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Yubico Inc.
Por isso, as firmas de tecnologia estão batalhando para oferecer soluções que sejam, ao mesmo tempo, mais seguras e mais convenientes. Muitos laptops já vêm com leitor de impressões digitais integrado. Os smartphones e outros dispositivos móveis também estão adotando opções biométricas, como reconhecimento facial e de voz.

No ano passado, a Apple Inc. adquiriu a AuthenTec Inc., desenvolvedora de tecnologias para sensores de impressões digitais, e neste mês lançou um novo iPhone com um sensor de impressão digital instalado. A Microsoft anunciou que seu sistema operacional Windows 8.1, que deve ser lançado em outubro, é "otimizado para a biometria baseada em impressões digitais".

Outras empresas, como Google Inc., PayPal Inc. e Lenovo Group Ltd., formaram uma organização conhecida como Aliança Fido (Fast Identity On-line, ou Identidade Rápida On-line), que visa criar padrões para o setor de biometria e outras formas da chamada "autenticação forte".

O Google também está testando um novo tipo de dispositivo, criado pela Yubico Inc., de Palo Alto, na Califórnia. Tal como os tradicionais tokens que geram senhas numéricas aleatórias, já usadas por bancos e outras empresas há anos, os aparelhos da Yubico geram senhas temporárias para serem utilizadas como uma segunda forma de autenticação.

Mas em vez de ter que ler a senha no token e depois digitá-la, o funcionário pode simplesmente introduzir o token numa entrada USB ou encostá-lo num smartphone ou tablet, usando a comunicação de campo próximo (NFC, na sigla em inglês), tecnologia que permite aos dispositivos eletrônicos se comunicarem fazendo contato físico.

O Google está testando os tokens com seus funcionários este ano e pretende oferecê-los aos consumidores em 2014, como uma forma de acessar o Gmail e outras contas do Google com mais segurança. Mayank Upadhyay, diretor de engenharia de segurança do Google, diz que os tokens são fáceis de usar e têm uma criptografia forte.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Impressão digital volta ao debate com novos iPhones

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Reuters

O último lançamento de produtos da Apple Inc., além de atualizar sua linha de iPhones, pode dar vida nova a uma tecnologia que fracassou em sua primeira tentativa: o escâner de impressões digitais.

A leitura de impressões de dedos em computadores e celulares tem sido proposta há tempos como uma forma de evitar a necessidade de senhas para autenticar usuários de vários dispositivos. A Apple incluiu um escâner de impressões digitais no iPhone 5S, a versão mais cara dos novos smartphones apresentados pela empresa de tecnologia esta semana em sua sede, em Cupertino, na Califórnia.

Dada a influência da Apple, outras empresas devem imitá-la. Pelo menos um novo smartphone programado para este ano que usa o sistema operacional Android, do Google Inc., virá equipado com um sensor de impressões digitais semelhante, segundo uma pessoa a par do assunto. Um porta-voz do Google se recusou a comentar.

Por trás da iniciativa está o crescente reconhecimento de que as senhas são uma forma falha de proteger as informações dos consumidores, especialmente em dispositivos móveis, mais suscetíveis a roubos e perdas. Além disso, os avanços tecnológicos tornaram os escâneres de impressões digitais mais precisos e confiáveis.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Guerra contra refrigerantes ameaça Coca-Cola no México

A batalha contra os refrigerantes açucarados, salientada na tentativa fracassada do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, de proibir refrigerantes grandes, se espalhou agora para o México, há muito um dos principais mercados da Coca-Cola.

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El Poder del Consumidor
Durante essa temporada de verão no hemisfério norte, uma campanha de conscientização pública espalhou anúncios por ônibus e outdoors pela Cidade do México, mostrando uma pilha com 12 colheres cheias de açúcar ao lado de uma garrafa de 600 mililitros de refrigerante. Os anúncios perguntam: "Você comeria 12 colheres de açúcar? Por que você bebe refrigerante?".

A campanha publicitária tem incentivado um novo movimento para conter o consumo excessivo de refrigerantes no México.

Como os Estados Unidos, o México está batalhando para combater uma epidemia de diabetes, doença que está intimamente ligada à obesidade.

O México ultrapassou recentemente o país vizinho, famoso pela obesidade de sua população, assumindo o primeiro lugar em um ranking de países mais gordos do mundo com população de 100 milhões ou mais, de acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

iPad 5 já está sendo fabricado e parece o iPad mini, diz WSJ

O iPad 5 já está sendo fabricado na Ásia e deve ser mais fino e mais leve que o iPad 4, com aspecto similar ao do iPad mini, diz o Wall Street Journal
iPad mini e iPad 4, da Apple
Divulgação

A Apple já iniciou a produção do iPad 5, diz o Wall Street Journal, que também confirma que o novo iPad de 9,7 polegadas terá aspecto visual mais parecido com o do iPad mini, como já vinha sendo antecipado. 

O jornal diz que a mesma tecnologia de tela de cristal líquido que torna o iPad mini fino e leve será usada no iPad 5. A tela desses tablets tem três camadas. Sobre o display que forma as imagens ficam os sensores de toque e, acima deles, o vidro protetor.

A IHS iSuppli, que desmontou o iPad mini para analisá-lo, constatou que ele possui sensores de toque dispostos sobre uma espécie de filme plástico, em vez de vidro como acontece no iPad 4. O resultado é que a tela do iPad mini é mais fina e mais leve que a de seu irmão maior.

O Wall Street Journal afirma que o iPad 5 também terá sensores com base de filme plástico. Rumores anteriores indicam que o novo tablet de 9,7 polegadas da Apple também terá moldura mais fina em torno da tela, como o iPad mini.

Ainda não se sabe quando a Apple vai apresentar o iPad 5. É bastante provável que isso aconteça em outubro. Ontem, o site All Things D divulgou que a empresa da maçã vai realizar um evento em 10 de setembro para apresentar novos modelos do iPhone.

Nesse evento, ela deve anunciar o iPhone 5S, mais avançado que o atual iPhone 5, e também o iPhone 5C, um modelo mais barato criado para substituir os atuais iPhone 4 e 4S. Informações não oficiais indicam que o iPhone 5C será construído em plástico e oferecido em diversas cores.

Se esses rumores se confirmarem, a Apple passará a ter três smartphones em diferentes faixas de preço: iPhone 5C, iPhone 5 e iPhone 5S. O iPhone 4 e o 4S devem ser descontinuados.

Parece improvável que Tim Cook e sua turma apresentem os novos modelos do iPhone e do iPad no mesmo evento. A Apple sempre foi hábil em marketing. Ela deve realizar dois eventos separados, de modo a explorar ao máximo o interesse trazido pelos lançamentos.

Assim, outubro é um bom palpite para a data de lançamento do iPad 5. Junto com ele, há boas chances de a Apple apresentar um novo iPad mini. Segundo relatos, as novidades no mini devem se resumir a melhoramentos internos. O desejado iPad de 7,9 polegadas com tela Retina não deve ser lançado neste ano.

Há grande expectativa sobre esses lançamentos da Apple. As vendas da empresa têm caído e a falta de novos produtos parece ser a principal razão para isso. Dados da IDC indicam que, no segundo trimestre, tanto o iPhone como o iPad perderam espaço para os concorrentes com o sistema Android. 

Em smartphones, a participação da Apple, que era de 16,6% um ano atrás, caiu para 13,2% no segundo trimestre deste ano. A empresa teve crescimento de 20% nas vendas em um ano. Mas o mercado total de smartphones cresceu 51,3%. 

Com o iPad, não foi diferente. As vendas mundiais de tablets caíram 9,7% no segundo trimestre, diz a IDC. E a principal razão para isso é o fato de a Apple, líder desse mercado, não ter revelado um novo modelo no primeiro semestre, como fez em anos anteriores.

As vendas do iPad caíram 14% do primeiro para o segundo trimestre deste ano. Na análise da IDC, a queda é sazonal e a Apple deve se recuperar, ao menos parcialmente, quando tiver novos produtos.

Mesmo assim, Samsung e outros fabricantes de dispositivos com Android devem ter comemorado o avanço sobre o território da rival.

terça-feira, 23 de julho de 2013

A aposta argentina em nanotecnologia

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Corporación América         

Construída sobre o que restou de uma tecelagem familiar, uma moderna fábrica de semicondutores começou a operar nessa cidade argentina a quase 130 quilômetros de Buenos Aires.

A planta pode produzir chips GSM para telefones celulares, cartões inteligentes para o transporte público e microchips para cartões de crédito.

A nanotecnologia, que manipula materiais de dimensões minúsculas como microchips, não está plenamente desenvolvida na Argentina. Mas o empresário Matias Gainza Eurnekian, de 28 anos, convenceu seu tio, o octogenário Eduardo Eurnekian, a investir US$ 1,2 bilhão para tentar mudar isso.

Foi assim que, em maio de 2012, quando tio e sobrinho se reuniram para discutir futuros empreendimentos, o veterano magnata, que em 1998 já havia construído um império de mídia de quase US$ 1 bilhão, vislumbrou uma oportunidade na nanotecnologia e se dispôs a seguir as ideias do jovem. "Comecei a trabalhar nisso naquele mesmo dia", disse Gainza Eurnekian, "e não parei até agora".

A holding dos Eurnekians, a Corporación América, concluiu a fábrica de última geração em fevereiro. Eles esperam torná-la, até o fim de 2014, a única produtora integrada de semicondutores da América Latina, o que lhes daria, dizem, vantagem nas vendas e na distribuição no continente.

"Foi uma grande aposta", disse Gainza Eurnekian recentemente. "Dada a velocidade com que a tecnologia muda, tivemos que construir a fábrica em dez meses para o modelo de negócios fazer sentido."

Se tudo der certo, os Eurnekians pretendem abrir o capital da holding. "Esperamos estar preparados [para isso] em dois anos", disse Eduardo Eurnekian.

O negócio principal da Corporación América é a administração de 51 concessões de aeroportos na América Latina e Europa. Mas os Eurnekians acreditam que o crescimento futuro virá da indústria de nanotecnologia. E a experiência deles para obter contratos governamentais poderia ajudar a compensar os desafios tecnológicos que vão enfrentar como novatos num setor globalizado e altamente competitivo.

"Como uma firma nova, eles estarão em grande desvantagem [...] embora possam conseguir contratos sob a alçada do governo", disse Len Jelinek, diretor e analista da consultoria IHS.

Ter a Argentina como sede traz seus desafios, como inflação alta, aumentos anuais de salários e pesadas barreiras à importação. "Se eles não puderem igualar ou bater os preços da concorrência, não vão poder competir no longo prazo", disse Jelinek. "A questão hoje não é onde você está no mundo, mas que vantagem diferenciada você pode oferecer."

A família já investiu US$ 300 milhões na nova unidade de negócios, chamada Unitec Blue, que planeja vender produtos com microchips para empresas e governos em toda a América Latina e outras regiões. A subsidiária começou recentemente a produzir alguns dos cartões usados por milhões de pessoas nos sistemas de transporte de massa de Buenos Aires e pretende disputar contratos para fornecer carteiras de motorista nos EUA.

Seus chips podem ser integrados a uma ampla gama de produtos, entre eles passaportes eletrônicos e dispositivos para monitorar o gado.

Os bancos e companhias de telecomunicações da América Latina, bem como governos e prefeituras da região, vêm importando tecnologia semelhante da Ásia, Europa e dos EUA para uso em cartões de crédito e de débito, celulares e crachás de identificação. Só no ano passado, a Argentina importou 35 milhões de chips GSM para celulares, disse Diego Barletta, diretor de vendas da Unitec Blue.

A empresa já tem ou está negociando acordos comerciais na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru. Um possível grande negócio é o fornecimento de microchips, ou circuitos integrados, a governos para documentos como carteiras de identidade e passaportes.

O Brasil representa um grande potencial para as vendas desses chips por causa das muitas cidades que usam cartões de transporte público, disse Gainza Eurnekian. A empresa planeja participar de licitações para o fornecimento desses cartões no Brasil e outros países vizinhos. Administradoras de rodovias também usam etiquetas inteligentes presas ao para-brisa para identificar os automóveis que passam por seus pedágios.


A Unitec Blue espera produzir um total de cerca de 1,5 bilhão de microchips por ano. Mas a empreitada tem seus riscos, observa Gainza Eurnekian. As tendências tecnológicas mudam quase que da noite para o dia e a demanda por novos e caros equipamentos de produção força as empresas a continuar reinvestindo. "Em três ou quatro anos, estas máquinas não valerão nada", disse ele, apontando para equipamentos de fabricação importados a um custo de US$ 250 bilhões.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Brasil é mercado crucial para firmas de tecnologia da China

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Reuters

As grandes empresas chinesas de tecnologia de consumo dominam o mercado doméstico, mas vêm tendo dificuldades fora da China. Agora, numa tentativa de mudar esse quadro, elas estão invadindo o Brasil e outros mercados emergentes.

As empresas chinesas gostam dos mercados emergentes porque neles elas não precisam começar muito atrás das americanas já estabelecidas. Ao entrar agressivamente no Brasil, a fabricante de computadores Lenovo Group Ltd. e a empresa de buscas na internet Baidu Inc. esperam abrir vantagem contra firmas como a Hewllett-Packard Co. e a Google Co. Além disso, algumas empresas dos Estados Unidos que são líderes tanto em casa quanto na Europa têm uma presença menor aqui por causa da longa história de burocracia e protecionismo e do alto custo da mão de obra no Brasil, particularmente quando comparado com a Ásia.

As empresas chinesas e americanas concordam que o mercado brasileiro está cada vez mais importante. Embora a classe média do país ainda esteja crescendo, ela já é grande o suficiente para compensar o alto custo de se fazer negócios aqui.

A chinesa Lenovo, segunda maior fabricante de computadores de mesa do mundo, estima que 20% dos próximos meio bilhão de compradores de PCs virão do Brasil. A empresa, que ultrapassou a Dell Inc. no ano passado em parte devido à sua incursão em mercados como Índia e Rússia, afirma que o Brasil é agora seu maior mercado fora da China.

O Brasil sempre teve uma população grande e, agora, com o crescimento da classe média, "há mais poder de consumo", diz Silvia Quintanilha, vice-presidente de atendimento a clientes da firma de pesquisa Millward Brown em São Paulo. "Todas as marcas estão agora de olho em nós. Todas elas estão chegando ao Brasil."

O Brasil é "o mercado mais importante" fora da China, diz John Dillon, diretor de negócios internacionais da Baidu, que também está lançando mais serviços na Tailândia e no Egito. O Brasil, em geral, é "uma economia de alto crescimento, tem uma internet em alto crescimento, e acreditamos que alguns participantes do mercado mundial ainda não deram atenção muito específica ao país", diz o executivo. "Há uma boa oportunidade para nós entrarmos."

Segundo uma pesquisa recente do Banco Central, o produto interno bruto do Brasil deve crescer 3,3% em 2013; a estimativa é de que o PIB tenha subido só 1% em 2012.

Mas conquistar o mercado brasileiro não será tarefa fácil para as empresas chinesas, que continuam penando para estabelecer suas marcas fora da China. A Baidu teve sucesso limitado oferecendo serviços no Japão. E, embora a Google tenha perdido algum tráfego no Brasil para novas concorrentes, a gigante americana ainda domina o setor de internet em várias categorias e conhece os usuários brasileiros. A Lenovo vem crescendo rápido nos mercados emergentes e nas vendas mundiais de computadores, mas seu desempenho nos EUA não tem sido tão bom diante de marcas renomadas como HP, Apple e Dell.

As empresas chinesas não são as únicas recém-chegadas à disputa pelo mercado brasileiro. A Facebook Inc., que até 2011 não tinha operações aqui, registrou um crescimento de 41% no seu número de visitantes em setembro, para 43,3 milhões por mês, e a média de tempo gasto no site subiu 208%, segundo a comScore. Isso fez do país um dos mercados de maior crescimento da Facebook. Enquanto isso, o número de usuários no Brasil da rede social Orkut, da Google, caiu 55% em 2012, e o tempo gasto no site diminuiu 83%. A comScore diz que, coletivamente, os sites da Google são os mais populares do Brasil, mas a média de tempo gasto neles encolheu 45% em 2012.

A sul-coreana Samsung Electronics Co. também fez uma investida agressiva no mercado brasileiro, inclusive batendo os preços das concorrentes, e já se tornou uma das maiores do país em vendas de PCs e smartphones. A Apple Inc., por sua vez, apesar de ser uma competidora importante, tem uma participação de mercado menor no Brasil do que em outros lugares. Os produtos dela têm um preço mais alto aqui e ela ainda não abriu uma loja brasileira, dependendo de uma rede de revendedores e de operadoras de celular.

As empresas chinesas esperam reproduzir o sucesso que tiveram no seu mercado doméstico ao dar aos seus produtos e sites um toque local. A Baidu tomou a frente da Google na China em parte porque adaptou seus serviços às peculiaridades do mercado, criando, por exemplo, uma barra de pesquisa mais longa para acomodar mais facilmente os caracteres chineses.

A empresa lançou seu serviço de diretório de sites Hao123 para os usuários brasileiros este ano. Ele fornece links para sites populares e foi concebido para facilitar a navegação na web para novos usuários. A empresa também planeja lançar um motor de busca completo para competir com a Google e já alocou centenas de engenheiros ao projeto.

Quanto à Lenovo, estabelecer-se no Brasil significa projetar, montar e fornecer um número maior de seus produtos localmente. Isso ajudará a reduzir impostos e possibilitará que ela concorra melhor em preço com as fabricantes locais de computadores, como a líder de mercado Positivo Informática SA, sediada em Curitiba. A Lenovo tem 4.000 empregados no Brasil e acabou de completar a aquisição, por R$ 300 milhões, da empresa de eletrônicos CCE, cujo parque industrial fica em Manaus. A empresa chinesa também já está construindo sua primeira fábrica no país — em Itu, SP —, um investimento de US$ 30 milhões.

A Lenovo espera aproveitar a competitividade em preços da CCE no segmento de baixa renda para impulsionar seu negócio nas regiões menos ricas e de rápido crescimento do Brasil.

O Brasil é como um "degrau transparente" porque os concorrentes "podem não ver o país como uma oportunidade grande o suficiente para justificar essas mudanças fundamentais", diz Dan Stone, diretor das operações brasileiras da Lenovo. Desde aquisições até novas fábricas e centros de pesquisa, "estamos investindo mais no Brasil que qualquer outro país fora da China".

Enquanto isso, a Tencent Holdings Ltd., operadora do QQ, o serviço de mensagens instantâneas mais popular da China, lançou uma versão em português do seu promissor aplicativo de mensagens instantâneas para smartphones WeChat. A empresa não quis dar detalhes sobre suas iniciativas. No momento, o serviço deste tipo mais popular no Brasil é o da californiana WhatsApp.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Firma japonesa diz ter produzido seda de aranha artificial tão forte como aço


Séculos antes do Homem-Aranha, as pessoas tentaram cultivar a seda dos aracnídeos, uma fibra tão unicamente poderosa que não só prende insetos, mas também pode servir como um tecido altamente durável.

Retirar o fio de uma aranha, no entanto, é extremamente vagaroso. E colocar aranhas demais juntas faz com que elas se tornem hostis e inclinadas a matar umas às outras.

Agora, uma empresa japonesa iniciante chamada Spiber Inc. afirma ter produzido um fio de teia de aranha artificial que segundo ela tem uma resistência à tração igual à do aço, mas é ao mesmo tempo flexível como a borracha. A empresa espera poder atingir a produção em massa dentro de dois anos, possivelmente abrindo as portas para a criação de autopeças, materiais cirúrgicos e coletes a prova de balas mais leves, mas também mais fortes.

"O fio da aranha é um material incrível, tão leve e ao mesmo tempo tão forte e flexível. Ele pode absorver tanta energia", disse o presidente da Spiber, Kazuhide Sekiyama, que teve a ideia de reproduzir o fio de teia de aranha na faculdade durante uma conversa de noite inteira regada a drinques.

Um teste fundamental será a resistência que o fio terá quando a Spiber começar a produzi-lo em massa, um problema que já desafiou pesquisadores no passado. A Spiber afirma que precisa experimentar maneiras diferentes de proteger o fio, incluindo possivelmente revestir as fibras com uma resina. Como toda matéria orgânica, o fio da Spiber acaba se rompendo com o tempo.

A Spiber pretende atingir a produção de uma tonelada de seda de aranha em 2015. Ela planeja triplicar a sua produção mensal até novembro, para cerca de 100 quilos.

Apelidados de Qmonos, o que em japonês significa literalmente "teia de aranha", o fio da Spiber é o último exemplo de biomimetismo, um campo da ciência que procura replicar como as coisas funcionam na natureza para resolver problemas humanos. Exemplos bem-sucedidos incluem a invenção do Velcro pelo engenheiro suíço George de Mestral, em 1941, ao observar carrapichos grudados no seu cachorro, e mais recentemente o desenvolvimento de um adesivo resistente a altas temperaturas da empresa japonesa Nitto Denko, que analisou como os pés das lagartixas aderem a superfícies.

A seda de aranha há muito é o Santo Graal do biomimetismo. O fio de teia de aranha pode ser esticado 40% além do seu comprimento original sem se romper. Mais forte do que o aço ao mesmo peso e duas vezes mais elástico do que o nylon, uma teia de aranha feita de fios da espessura de um lápis seria forte o suficiente para parar um jato em pleno voo, dizem alguns especialistas. Durante séculos, a seda foi colhida e usada como linha de pesca, pela sua elasticidade, e para tratar de feridas, por suas propriedades antibacterianas.

Muitos tentaram resolver o enigma de recriar a seda de aranha. Um empreendimento promissor foi a Nexia Biotechnologies, sediada em Montreal, que modificou cabras geneticamente para produzir leite contendo seda de aranha. A empresa, que em 2000 arrecadou US$42,4 milhões numa oferta pública inicial de ações, fechou em 2009, quando não conseguiu tornar sua pesquisa comercialmente viável.

"O sucesso da Spiber se baseia na semelhança entre seu fio e o natural", disse Shigeyoshi Osaki, um professor de medicina da Nara Medical University que coleta fios de teia de aranha e mostrou como um fio de quatro milímetros de espessura, produzido com cerca de 190.000 fios individuais de teia, poderia suportar todo o seu peso.

A estrutura molecular da proteína da seda de aranha é longa e complexa. Isto dá ao fio o equilíbrio ideal entre elasticidade e resistência, mas também torna sua reprodução mais difícil e cara. As empresas podem até conseguir replicar partes da proteína, mas é sua estrutura molecular que dá ao fio de teia de aranha a sua resistência, disse Osaki. A Spiber não divulga detalhes sobre a composição dos seus fios.

A Spiber afirmou que resolveu um problema que confundiu os cientistas por anos — como reproduzir a ação giratória das aranhas e desvendar o mistério de como elas tecem os fios — ao encontrar sua própria maneira de fazer os fios.

Sua técnica é usar a bioengenharia para criar bactérias com DNA apropriado para produzir a proteína da teia de aranha, e então isolar estas proteínas transformando-a num pó que pode ser passado através de um orifício na ponta de uma agulha, formando um fio fino. Um grama da proteína produz cerca de nove quilômetros de seda, quase a altura do monte Everest.

Desde que divulgou sua técnica de produção, em agosto do ano passado, a Spiber afirmou que recebeu mais de uma centena de pedidos de colaboração em projetos. Com 750 milhões de ienes (US$ 7,6 milhões) de investimentos da fabricante de autopeças Kojima Industry Co., a Spiber inaugurou este mês um centro de protótipos e uma planta piloto em Tsuruoka, no noroeste do Japão.

A Spiber, que tem um capital de 780 milhões de yens oriundo de financiamentos do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, da Keio University e da prefeitura de Yamagata, onde sua fábrica está localizada, afirmou que tem a vantagem da velocidade contra as concorrentes, como a alemã AMSilk GmbH e o laboratório americano Kraig Biocraft Laboratories Inc.

Ela afirmou que pode criar um fio de teia de aranha com diferentes capacidades em menos de três dias e já tem um portfólio de 250 tipos diferentes de fios que pode produzir.

Aranhas reais têm cerca de sete tipos. Uma coleção de diferentes tipos de fios — resistente, elástico ou adesivo — atenderia a uma ampla gama de aplicações.


Matéria publicada em http://ads.tt/7OYD

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Como os irmãos Koch querem roubar espaço de Warren Buffett

Bilionários mandam recado ao mercado: também estão interessados na compra e melhoria de companhias, território cativo de Warren Buffett

Irmãos Charles Koch e David Koch, donos da Koch Industries

Com uma fortuna de 43,3 bilhões de dólares cada, os irmãos Charles e David Koch são o sexto e sétimo homens mais ricos do mundo, respectivamente, de acordo com o ranking diário de bilionários da Bloomberg. Famosos por seus negócios no ramo industrial, eles entraram na ofensiva e agora querem ser vistos por empresas em dificuldades como potenciais compradores de participações minoritárias, segundo matéria publicada ontem no Wall Street Journal.
A estratégia que eles pretendem copiar é a mesma que rendeu grandes retornos para a Berkshire Hathaway. A holding de Warren Buffett é famosa pela variedade de negócios, que vai da compra de participações no Goldman Sachs durante a crise de 2008 à aquisição da Heinz junto com a 3G Capital em fevereiro deste ano.
“Ele fez um ótimo trabalho em ter uma marca que se você quer vender seu negócio sem deixar de administrá-lo, venha pra cá”, disse Charles Koch, o CEO das Indústrias Koch, em rara entrevista. Steve Feilmeier, diretor financeiro, afirma que “[Buffett] era visto como a única pessoa que podia escrever um cheque robusto e muito rapidamente. Nós estamos ativamente falando com Wall Street para ter certeza que haverá pelo menos duas ligações sendo feitas nestes momentos”.
A empresa dos irmãos é um gigante com vendas anuais de 115 bilhões de dólares e negócios concentrados principalmente nas áreas de química, petróleo e fertilizantes, entre outros, mas que tem apontado recentemente para uma maior diversificação. No mês passado, Charles causou polêmica ao admitir interesse no mercado editorial: o Tribune, dono de jornais como o Los Angeles Times, estaria na mira. Os irmãos Koch também são famosos por financiar causas e institutos conservadores nos Estados Unidos. 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Amazon se prepara para vender obras de arte

De olho no mercado de produtos de luxo, a Amazon.com Inc. está discretamente se preparando para vender obras de arte.
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A gigante do varejo on-line está planejando abrir uma nova seção no seu site já mesmo em julho, onde ela vai oferecer pinturas, desenhos e outras obras de arte, segundo entrevistas com uma dezena de donos de galerias.
A Amazon deve inaugurar o site com obras de cerca de cem pequenas galerias de todos os Estados Unidos, dizem donos de galerias a par dos planos da empresa. Nas últimas semanas, a companhia organizou coquetéis de recepção em Seattle, onde fica sua sede, San Francisco, Nova York e outras cidades do país para convidar galerias a participar do novo programa.
Um porta-voz da Amazon não quis comentar.
Tendo conquistado o mercado de livros, depois o de eletrônicos e outros bens de uso geral, a Amazon vem recentemente redobrando seus esforços nos mercados de alta renda, em busca de margens potencialmente maiores. No fim do ano passado, ela lançou a venda de vinhos, inclusive através de subsidiárias como a MyHabit.com.
A Amazon foi um dos numerosos sites a vender arte no primeiro boom da internet. Em 2000, ela desistiu de uma sociedade com a casa de leilões Sotheby's após 16 meses já que a iniciativa não conseguiu decolar. O Yahoo Inc. e o eBay Inc. também cancelaram seus empreendimentos para vender quadros e outras obras de arte na internet; empresas iniciantes, como a eHammer.com, fizeram o mesmo.
"Sempre será difícil vender arte na internet", disse Richard Feigen, dono da galeria Richard L. Feigen and Co., em Nova York. "Colecionadores sérios querem ver a obra antes de comprá-la — você não precisa ver um livro para comprá-lo on-line." Ele disse que não foi abordado pela Amazon.
Os donos de galerias que foram informados sobre os planos da Amazon disseram que a empresa vai cobrar uma comissão escalonada baseada no preço da obra de arte, geralmente entre 5% e 20%, com obras mais caras sujeitas a comissões menores. Ela vem cobrando dos vendedores de vinho uma comissão em torno de 15%, segundo vinícolas envolvidas no programa. A logística de entrega ficará a cargo das galerias, e a seção de arte não fará parte do programa "Prime" da Amazon, que realiza a entrega dos produtos em dois dias, disseram esses proprietários de galerias.
Nick Lawrence, dono da galeria Freight + Volume, de Nova York, disse que decidiu dentro dos últimos 30 dias divulgar alguns quadros no site da Amazon depois de ter recebido uma oferta não solicitada da empresa. "Percebi que essa poderia ser uma grande forma de atingir um público imenso", disse Lawrence. "Há muitas pessoas que não vão necessariamente poder vir a Nova York comprar arte e talvez possam, em vez disso, achar alguma coisa na Amazon."
Lawrence disse que também ficou tentado pela oferta da Amazon de participação gratuita até 2015, quando ele disse que a empresa começará a cobrar os vendedores cerca de US$ 100 por mês para listar suas obras de arte no site.
Gail Gibson, dono da galeria G. Gibson, de Seattle, disse que está adotando a postura "esperar para ver" com relação à iniciativa da Amazon, ainda que isso signifique perder o benefício da mensalidade gratuita.
"Parece um pouco cedo demais. Preciso ver como é o site, se é fácil de usar", disse Gibson. "Com arte, tem que ser agradável."
A Amazon vai enfrentar alguma concorrência de sites de venda de arte mais estabelecidos. Muitos galeristas disseram que usam sites como Artsy e Artnet para vender suas obras nos EUA.
Donos das galerias disseram que não ficou claro de imediato como a Amazon pretende organizar o site para ajudar potenciais compradores a encontrar obras de artistas menos conhecidos. A Amazon também não explicou para muitos negociadores de arte como eles deverão lidar com as devoluções. O transporte de uma obra de arte pode custar centenas ou milhares de dólares.
O interesse da Amazon em venda de arte foi divulgado antes pelo The Art Newspaper, uma publicação britânica do setor.
Matéria publicada em http://online.wsj.com

Dependência da Samsung ainda é dilema para a Apple

A Apple está descobrindo que não é fácil se livrar da Samsung.
Uma prova disso é o esforço dela para encontrar outra empresa, que não sua feroz concorrente Samsung Electronics Co., para fazer os chips que são o cérebro dos seus iPads e iPhones. Em junho, depois de anos de atrasos por problemas técnicos, a Apple fechou acordo com a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. para que esta fabrique alguns desses chips a partir de 2014, disse um executivo da TSMC.
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Apesar do acordo, a Samsung seguirá sendo o principal fornecedor até o fim do ano que vem, disse um desses executivos.
A Apple é um dos maiores clientes da Samsung para processadores e chips de memória. Mas elas concorrem diretamente no mercado de telefones celulares e passaram boa parte dos últimos dois anos brigando nos tribunais por causa de patentes. Nenhuma das empresas quis comentar.
Há dez anos, elas eram parceiras ideais. Aí a Samsung começou a lançar os smartphones que hoje ultrapassam o iPhone em vendas. Ao longo do último ano, os executivos da Apple expressaram preocupação com sua dependência da Samsung, que reduz o poder de negociação da Apple e sua capacidade de usar tecnologias diferentes, segundo pessoas que conversaram com executivos da Apple.
A Apple cortou algumas compras da concorrente sul-coreana. Ela não compra mais da Samsung as telas do iPhone e diminuiu as compras das telas do iPad, dizem fornecedores. A Apple vem comprando mais chips de memória flash — componente essencial para o armazenamento de dados — de outros fabricantes, dizem ex-executivos da Apple e funcionários de outros fornecedores de chips.
Mas a Apple continua muito dependente da Samsung. O microprocessador que controla os iPods, iPhones e iPads é feito pela coreana. Alguns iPads novos ainda usam telas da Samsung, segundo exames feitos por especialistas.
O dilema da Apple é que a Samsung é a maior fabricante de alguns dos mais sofisticados componentes de que ela precisa.
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As alternativas da Apple "não são boas, por isso eles continuam comprando da Samsung", diz Michael Marks, que ensina um curso sobre cadeias de suprimento na Faculdade de Pós-Graduação em Administração da Universidade de Stanford e é presidente do conselho da SanDisk Corp., que vende chips de memória para a Apple. Além disso, o setor de tecnologia tem hoje poucas grandes empresas com quem fazer parcerias.
O acordo feito pela Apple em junho para começar a comprar chips da TSMC é um marco. A Apple há muito queria fabricar seus próprios processadores e comprou uma empresa de chips em 2008 para começar a projetar ela mesma seus chips. Mas seguiu contando com a Samsung para produzi-los.
Em 2010, a Apple e a TSMC começaram a discutir uma parceria para a fabricação de chips, dizem executivos da TSMC. Em 2011, a Apple pediu para investir na TSMC ou que a empresa dedicasse parte de suas instalações à produção dos chips da Apple, dizem os executivos. O presidente da TSMC, Morris Chang, recusou ambos os pedidos porque a companhia queria conservar sua independência e flexibilidade na fabricação, dizem.
A TSMC pretende começar a produzir os chips em massa no início de 2014 usando tecnologia avançada de 20 nanômetros que deve reduzir o tamanho e o consumo de energia deles.
A Apple não é a primeira a ver uma feliz parceria se transformar em concorrência. Em 1980, a gigante dos chips Intel Corp. aceitou compartilhar sua tecnologia com a Advanced Micro Devices Inc. Depois, a AMD se tornou uma grande concorrente e a Intel passou anos tentando desfazer o acordo.
A Samsung tem razões para manter viva sua relação com a Apple. A expectativa era de que as encomendas da Apple para a Samsung deveriam atingir US$ 10 bilhões em 2012, diz Mark Newman, analista da Sanford Bernstein em Hong Kong. Isso representa uma fatia significativa dos 67,89 trilhões de wons (US$ 59,13 bilhões) que a Samsung teve com o negócio de componentes, que inclui chips e telas. O processador da Apple, do qual a Samsung é hoje a única fornecedora, respondeu por US$ 5 bilhões das compras em 2012, calcula Newman.
A séria relação entre a Apple e a Samsung remonta aos primeiros tocadores de música iPod, na década de 2000. Durante os primeiros anos, os iPods usaram pequenos discos rígidos para armazenar músicas. Mas a Apple queria usar chips de memória flash, que eram mais confiáveis e consumiam menos energia.
O problema é que esses chips custavam caro e os preços podiam ter grandes oscilações. À medida que a demanda pelo iPod disparava, a Apple assinarou um acordo com a Samsung para garantir o fornecimento, segundo pessoas a par da estratégia. Os primeiros iPod Shuffle da Apple com memória flash chegaram às lojas em 2005. A Samsung depois passou a fabricar também os processadores do iPhone, lançados em 2007.
A Apple não estava alheia às ambições da Samsung de concorrer com ela, dizem ex-executivos. A Samsung comunicou à Apple que havia estruturado seu negócio de modo a manter os dois lados separados e prometeu impedir que trocassem informações, dizem ex-executivos e outras pessoas a par do assunto.
Alguns executivos da Apple não gostavam de enriquecer um lado do negócio da Samsung enquanto o outro atacava a empresa americana. Compartilhar com ela informações sobre as previsões de negócios era especialmente doloroso, dizem ex-executivos.
Em 2008, a Apple tirou da Samsung uma parte maior das suas compras de memórias flash, dizem ex-executivos e outras pessoas a par da estratégia. A Apple anunciou em 2009 um pagamento adiantado de US$ 500 milhões à Toshiba Corp. para fornecimentos de memórias flash.
A iniciativa deu resultado. A Samsung, que há cinco anos fornecia grande parte dos chips de memória flash da Apple, hoje responde por menos de 10%, estima Newman, da Sanford Bernstein.
A Apple deixou de usar telas da Samsung no iPhone 4, lançado em 2010. A empresa americana ajudou a Sharp Corp. e a Toshiba Corp., que também fazem telas, a expandir suas fábricas, segundo pessoas a par da situação.
Outras tentativas de alijar a Samsung falharam. Em 2011, quando a Apple estava projetando a terceira geração do iPad, ela pediu à Sharp para produzir as novas telas de alta resolução, diz uma pessoa próxima à companhia japonesa. Mas no lançamento, em março de 2012, a maioria dos aparelhos tinha tela da Samsung. A Sharp teve dificuldades para produzir as telas em massa, diz outra pessoa próxima da empresa.
Em março, a Samsung fechou a compra de uma participação de 3% na Sharp e um acordo para comprar mais telas de LCD dela. O negócio tornará a Samsung o quinto maior acionista da Sharp e também um importante cliente, possivelmente limitando o poder de barganha da Apple.

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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Facebook planeja leitor de notícias para aparelhos móveis

O Facebook Inc. decidiu que quer se transformar num jornal para aparelhos móveis.

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A rede social vem trabalhando discretamente em um novo serviço, internamente batizado de Reader (ou leitor, em português), que exibe o conteúdo de usuários do Facebook e de editoras em um novo formato visual adaptado para dispositivos como celulares e tablets, dizem pessoas a par do assunto.
O projeto, que vem sendo desenvolvido pela empresa há mais de um ano, foi criado principalmente para exibir conteúdo de notícias. As versões recentes do Reader se assemelham ao aplicativo da Flipboard Inc. para smartphones e tablets que reúne, num mesmo ambiente, matérias de várias fontes e permite que os usuários folheiem os artigos como numa revista, dizem as pessoas inteiradas do projeto.
Embora não esteja claro quando o Facebook estará pronto para lançar o produto, se é que o fará, o projeto Reader é um sinal de que a empresa está buscando novas formas de manter os usuários conectados mais tempo no site da rede social em dispositivos móveis e, dessa forma, possibilitar que eles vejam mais anúncios.
Um porta-voz do Facebook se recusou a comentar sobre os planos futuros da empresa para aplicativos de notícias.
Tais esforços no campo de aparelhos móveis são fundamentais à medida que o Facebook tenta dar impulso à cotação de sua ação, que permanece 35% abaixo do preço de sua abertura de capital.
O Reader também mostra como o Facebook, que abriga hoje 1,1 bilhão de usuários, está tentando remodelar a sua identidade.
Quando Mark Zuckerberg fundou o Facebook, em 2004, como uma rede social para universitários, ele queria que a rede funcionasse como uma central para usuários interagirem com amigos e colegas. Hoje, o serviço ainda é predominantemente utilizado pelas pessoas para acompanhar, através de mensagens e fotos, a vida de amigos e familiares. Mas mais recentemente o Facebook tem se esforçado bastante para se tornar um destino para todo tipo de interesses, uma central onde usuários podem descobrir novidades e acompanhar acontecimentos e conversas em tempo real.
Este mês, o Facebook lançou "hashtags", uma característica popular do concorrente Twitter Inc., que permite aos usuários encontrar discussões públicas com base em palavras marcadas pelo sinal "#".
No início deste ano, o Facebook lançou um redesenho do "feed de notícias", a principal seção de seu portal na web, que agora exibe com mais proeminência o conteúdo de meios de comunicação. Em um evento de lançamento do redesenho, Zuckerberg disse que queria que o Facebook fosse "o melhor jornal personalizado no mundo".
Aplicativos de leitura como o Flipboard, que agregam notícias de meios de comunicação e muitas vezes são influenciados pelas conexões on-line dos usuários, vêm se tornando cada vez mais populares. No início deste ano, o LinkedIn Corp.investiu cerca de US$ 90 milhões para comprar o Pulse, outro leitor de notícias móvel. Em uma mensagem no blog da empresa, o Facebook anunciou que fechou o acordo, em parte, para se tornar a "plataforma editorial profissional definitiva".
"A oportunidade de se tornar o lugar que as pessoas visitam para a leitura de textos informativos longos é grande, principalmente para a publicidade", disse Josh Elman, um investidor de capital de risco da Greylock Partners, que já trabalhou com produtos para o Facebook e Twitter.
Embora os consumidores estejam gastando cada vez mais tempo com aparelhos móveis, os usuários de aplicativos do Facebook muitas vezes os visitam por sessões breves de poucos minutos, adicionando mensagens ou checando rapidamente o feed de notícias, de acordo com uma das pessoas a par das iniciativas móveis do Facebook. Uma experiência mais imersiva pode abrir novos modelos de anúncios publicitários para o Facebook, que hoje gera cerca de um terço de sua receita por meio dos celulares e tablets.
Mas trazer para si os hábitos de leitura de notícias dos usuários será um desafio para o Facebook, dizem analistas. Tanto o Twitter como o LinkedIn têm promovido seus próprios serviços de notícias de forma agressiva, e o próprio Flipboard tem mais de 50 milhões de usuários.
"Há um monte de coisas que as pessoas não faziam no Facebook há vários anos e que fazem agora", diz Nate Elliot, analista da Forrester. "Mas imagino que será muito difícil" acostumar os consumidores a ver o Facebook como uma central de notícias.
Zuckerberg está acompanhando de perto o projeto Reader, disse uma das pessoas a par do assunto, e participou de decisões e revisões de aspectos do projeto em vários momentos.
Embora Zuckerberg tenha adotado "mova-se rápido e quebre tudo" como mantra da empresa, o desenvolvimento do leitor de notícias tem sido relativamente lento e deliberado. A equipe tem focado na criação de uma experiência de produto que funcione tanto em tablets como em smartphones, acrescentou a pessoa, e tem explorado maneiras diferentes para destacar o conteúdo das notícias para os usuários, inclusive exibindo mensagens públicas de tópicos que estão sendo acompanhados intensamente no site. A ideia, disse a pessoa, é criar uma experiência que incentive os usuários a mergulhar mais profundamente no conteúdo e passar mais tempo no Facebook.
A equipe tem até agora concentrado os esforços na construção de um sistema operacional móvel da Apple Inc. para aproveitar os elementos de design do iPad e do iPhone, de acordo com as pessoas a par do projeto.
Michael Matas, um designer do Facebook que antes trabalhou para a Apple, é o designer-chefe do projeto, acrescentaram essas pessoas. Matas não respondeu a um pedido de comentário.
Matéria publicada em http://ads.tt/6T68